quinta-feira, 21 de junho de 2012

Fazenda Passarinho

A Fazenda Passarinho deixou muitas lembranças... éramos uma juventude alegre, feliz e de certo modo, transgressora.
 
Lançavamos moda, inventávamos de tudo para colorir a outrora monótona Campos (que ainda não era "dos Goytacazes"), apenas Campos... deliciosa, de ruas de paralelepípedos, de mão e contra-mão.
 
Rua Formosa, ia e vinha.
 
Na Pelinca, o asfalto terminava no Cantão do Líbano.
 
E a 28 de março... um lado era de chão, o trem passava no meio, em frente à casa de Bernadete. 
 
Tempo gostoso... Éramos menores de idade, mas dirigiamos. Até o carro de Papai "A" entrava na dança... aquele Chevrolet Opala automático, azul marinho metálico, com capota de vinil branca... Eu, a motorista!
 
Era muito divertido... Ái! Quanta saudade...
 
Nesta foto, apenas as meninas que não tinham namorado firme. Éramos livres e viajávamos quase todos os fins de semana. Íamos de ônibus ou mesmo de carona... Eu e Bilu, numa das idas para Rio das Ostras, de ônibus, nos perdemos em Macaé... kkkk acreditam nisso? 
 
- Bilu, vc se lembra disso?! Luciola, e a crise de coluna que vc teve na Fazenda Passarinho, lembra? Beth Pecly, e Ludovico?!
 
Ludovido era um Jeep que Beth ganhou para um verão em Atafona! Íamos feito loucas pela restinga...
 
Quando chegávamos em casa (em Atafona), de volta da aventura, Dona Aracy nos olhava muito séria  e perguntava: "Crianças, vocês foram pra Grussaí?"

Nós, então, respondíamos com a cara mais lavada: "Não, Mamãe!" dizia, Beth. "Não, Dona Aracy!" Eu dizia.

Dona Aracy então, muito brava, nos rebatia enfaticamente: "Vão já se olhar no espelho e depois voltem até mim."

Ao nos ver no espelho, a imagem refletida era, no mínimo, cômica: as sombrancelhas e pestanas empoeiradas. Poeira vermelha, de restinga. A testa e o "bigode" suados com aquele poeiriço colado...

O que fazer diante de tamanha mentira? Rir, ou melhor, rir muito. Melhor ainda, gargalhar!

Dona Aracy dava risadas de "canto de boca" e saia da sala, sacudindo a cabeça e murmurando: "Pensam que me enganam..." E ao chegar na cozinha, gritava: "Já pro banho!"

Era uma risadaria só! Risada de fazer xixi na calça!

Era assim o nosso verão em Atafona...


Um comentário:

  1. Astrid, tão bom ler suas lembranças. Não suma tanto. Um beijo.

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